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Pandemia pode atrasar tratamento de câncer de mama

Levantamento feito pela Fundação do Câncer, com base em dados do Sistema Único de Saúde (SUS), revela queda de 84% no número de mamografias feitas no [...]

Por Silas Vinicius em 01/10/2020 às 21:59:51

Levantamento feito pela Fundação do Câncer, com base em dados do Sistema Único de Saúde (SUS), revela queda de 84% no número de mamografias feitas no Brasil durante a pandemia do novo coronavírus, em comparação ao mesmo período do ano passado. A instituição constatou também em estudo do Observatório de Oncologia, que aumentou de 28 dias para 45 dias o tempo médio entre a primeira consulta com um especialista e o diagnóstico do câncer de mama entre 2014 e 2018. Na média do período, o tempo médio ficou em 36 dias.

Com o intuito de conscientizar as mulheres sobre a importância da prevenção e do diagnóstico precoce do câncer de mama, a Fundação do Câncer lançouhoje(1º) a campanha Outubro+Que Rosa, estrelada pela atriz Catarina Abdalla. A campanha tem como mote o slogan "É tempo de..." e se divide em quatro focos:

É tempo de cuidar de si, ou seja, de ir ao médico ou fazer exames periódicos;

É tempo de ajudar o outro, seja compartilhando informações ou incentivando as pessoas no cuidado preventivo ou curativo;

É tempo de apoiar, seja cuidando de quem está doente ou fazendo uma doação para instituições que ajudam a combater o câncer;

É tempo de prevenção, ou seja, de falar sobre promoção da saúde e chances de cura da doença.

O diretor executivo da Fundação do Câncer, Luiz Augusto Maltoni, ressaltou que a ideia é falar para as pessoas que o caminho para combater o câncer de mama está no cuidado e no diagnóstico precoces. "Isso é importantíssimo, especialmente nesse momento em que muitas pessoas deixaram de cuidar da saúde em função do isolamento social devido à pandemia da covid-19".

Sintomas

Em entrevista à Agência Brasil, Maltoni deixou claro que se a mulher tiver algum sintoma, sentir dor nos seios, perceber algum nódulo ou caroço, ou que já tinha alteração em exames anteriores, não deve deixar de fazer exames para ver a evolução do caso e elucidar se há algo realmente preocupante.

"É óbvio que, se a mulher não sente nada, nesse momento de pandemia, e já seria hora de fazer a mamografia dela de rotina, se ela tem mais de 50 anos de idade, não tem problema nenhum postergar mais alguns meses a mamografia e fazer em um momento de maior tranquilidade e menor perigo de pandemia", salientou.

"O que não deve é esquecer de fazer. É para estar atenta com o auto cuidado e a necessidade de fazer os exames de rotina", completou o diretor executivo da Fundação do Câncer. A preocupação, segundo Maltoni, é as pessoas ficarem com medo de procurar o serviço médico por conta da covid e chegarem tardiamente para o tratamento de uma situação mais avançada.

Maltoni enfatizou a diferença do exame de rastreamento, que significa chamar uma população-alvo assintomática, sem nenhuma queixa, entre 50 anos e 69 anos de idade, para fazer exames de rotina. "Para essas mulheres de rastreamento, em um momento de pandemia, adiar esses exames um pouco mais é recomendável, porque elas acabam não superlotando os equipamentos e esvaziam um pouco o Sistema de Saúde".

O diretorreiterou, por outro lado, que "para mulheres que têm sintomas, que apresentam alguma alteração, que notaram algum nódulo, perceberam alguma coisa diferente ou que precisam fazer exame de comparação em relação a um já alterado que mostrou a necessidade de repetição em até seis meses para avaliar se houve ou não alguma mudança, a gente recomenda que os exames sejam feitos para não perder a oportunidade de um diagnóstico precoce, porque o resultado é muito melhor de tratamento".

Mortes e custos

A Fundação do Câncer chamou atenção para outro problema relatado pelo diretor do Instituto Nacional de Câncer dos Estados Unidos, Normam Sharpless. Ele estimou que a falta de rastreamento e tratamento durante a pandemia elevará em cerca de 1% o número de mortes por câncer naquele país. Sharpless observou ainda que além dos cuidados com a saúde terem ficado em segundo plano, a pandemia do novo coronavírus resultou em maior atenção e investimentos para a cura da covid-19, o que contribuiu para paralisar parcial ou totalmente pesquisas sobre câncer, no mundo todo.acordo com a Fundação do Câncer, o adiamento no cuidado com a saúde pode levar a diagnósticos do câncer de mama em estágios avançados, em alguns casos, gerando maiores gastos para o país. O economista sênior em saúde do Banco Mundial (BIRD), André Medici, analisou que o câncer de mama pré-menopausa em estágio 3 da doença, ou seja, o mais adiantado, representa 482% a mais despesas para os cofres públicos em relação ao tratamento no estágio inicial do câncer de mama. Já a diferença de custos entre os estágios inicial e intermediário fica em 201%, no mesmo tipo de tumor. Os dados foram divulgados pela Fundação do Câncer. (Alana Gandra)

Fonte: Agência Brasil

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