Agronegócio e comércio devem puxar PIB em 2020

Com varejo em expansão acima de 5,5% e a produção agrícola com alta de quase 10%, as atividades tendem a manter a relevância na economia brasileira neste ano.

São Paulo – Crédito e chuva. A combinação desses dois fatores, à primeira vista sem correlação, tem alimentado as perspectivas de crescimento da economia em 2020. O agronegócio e o comércio, segundo especialistas, tendem a ser os motores da expansão do Produto Interno Bruno (PIB) neste ano, projetado para avançar entre 2% e 2,5%, segundo o boletim Focus.

Sozinha, a produção agrícola deve subir cerca de 3%, pelos cálculos do Ministério da Agricultura (Mapa), mas algumas projeções já apontam para um avanço ainda mais robusto.

Nas contas da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), o Valor Bruto da Produção Agropecuária (VBP) será 9,8% maior em 2020 em relação a 2019. Assim, o faturamento do setor pode chegar a R$ 669,7 bilhões. “As safras dependem de ciclos biológicos, como o clima e a chuva, suscetíveis a mudanças, mas as perspectivas são muito positivas e devem se destacar no cenário econômico neste ano”, afirma o economista Felippe Serigati, pesquisador do Centro de Agronegócios da Fundação Getulio Vargas (GV Agro). Em suas estimativas, o crescimento do mercado deve repercutir na economia, com efeito multiplicador em regiões e municípios. “Os efeitos positivos do agronegócio vão muito além do setor. Haverá melhorias no mercado de trabalho, taxa de emprego e crescimento econômico”, completa Serigati.

A aposta para a pecuária é ainda mais otimista. A atividade deve crescer 14,1% e alcançar o valor de R$ 265,8 bilhões, o que indica que 2020 será o ano do setor, com perspectivas de aumento da produção. Para a carne bovina, a estimativa é de expansão de 22,2% no VBP do próximo ano na comparação com 2019, atingindo uma receita de R$ 129,1 bilhões.

ACELERAÇÃO

Já o comércio, em 2020, deverá registrar o maior avanço anual no volume de vendas em sete anos. Segundo a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), a estimativa é de que haja aumento de 5,5% no varejo ampliado e de 3% no varejo restrito – que exclui o ramo automotivo e de materiais de construção. “Um fator com potencial para prover sustentabilidade ao atual ritmo de crescimento das vendas, principalmente de bens de consumo duráveis, é a demanda por crédito por parte das famílias, que tem aumentado muito em função da ampliação dos prazos ao longo do ano”, destaca o economista-sênior da CNC, Fabio Bentes. No caso do comércio, com mais crédito e juros mais baixos, o grande motor da retomada econômica tem sido o consumo das famílias, à medida que o governo se esforça para cortar os seus gastos.“O aumento da oferta de crédito tem sido bem mais robusto que outros indicadores de recuperação econômica, por conta do estímulo do Banco Central para a ampliação das condições de competição e oferta de crédito ampliada do Sistema Financeiro Nacional”, diz o economista-chefe da Associação Nacional das Instituições de Crédito, Financiamento e Investimento (Acrefi). “Tudo isso está relacionado à queda dos juros básicos. Com a Selic no menor patamar da história, em 4,5% ao ano, o cenário anima consumidores e empresários de todos os portes.”

SOJA

Assim como o comércio, o campo exerce papel fundamental na riqueza do país. Segundo dados do GV Agro, o agro representa hoje 25% do PIB brasileiro. “Apesar dos impactos sofridos com a greve dos caminhoneiros de 2018 e um cenário externo instável, a agroindústria chega em 2020 com uma atividade mais aquecida, com destaque para as carnes, com alta nas exportações para a China, e o setor sucroalcooleiro, com a produção de açúcar e etanol”, afirma Serigati, da GV Agro.

De acordo com a CNA, há expectativa de alta para o VBP de outras proteínas animais, como os suínos (+9,8%), pecuária de leite ( 7,5%) e frangos ( 7,1%). O principal destaque do VBP agrícola será a soja, com alta de 14,1%. A oleaginosa deve encerrar 2020 com faturamento de R$ 165,2 bilhões, impulsionada pelo aumento dos preços e da produção. O milho também terá crescimento ( 3,3%), por causa da valorização dos preços, assim como a cana-de-açúcar ( 7,1%).

Confira a matéria completa no link https://www.em.com.br/app/noticia/economia/2020/01/09/internas_economia,1113093/agronegocio-e-comercio-devem-puxar-pib-em-2020.shtml

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